Cultura está sob censura, diz Wagner Moura

Cultura está sob censura, diz Wagner Moura

“A Ancine [Agência Nacional do Cinema] censurou o filme. É uma censura diferente, que usa instrumentos burocráticos para dificultar produções das quais o governo discorda. Não tenho a menor dúvida de que ‘Marighella’ não estreou ainda por uma questão política.” O desabafo é de Wagner Moura, diretor do filme que conta os cinco últimos anos de vida do escritor, político e guerrilheiro baiano Carlos Marighella – executado, em 1969, pela ditadura militar. Um dos organizadores da luta armada contra o regime, ele foi considerado seu inimigo número um. Baseado na biografia escrita pelo jornalista Mário Magalhães, o filme estreou no Festival de Berlim em fevereiro do ano passado.

O longa chegaria aos cinemas em novembro de 2019, mas a estreia foi cancelada após a produtora O2 ter dois pedidos negados pela Ancine. Segundo Moura, um processo era de redimensionamento de orçamento e outro de ressarcimento de recursos do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), que a produtora teria bancado para cobrir a extensão do orçamento. O diretor afirma que tal trâmite é bem comum em projetos culturais e por isso o longa teve a data de estreia marcada e começou sua divulgação, incluindo o lançamento do trailler

Marighella já passou por vários festivais, inclusive o Festival de Berlim, onde estreou sob aplausos. O filme narra a vida do guerrilheiro baiano Carlos Marighella entre 1964 e 1969, quando ele morreu em uma emboscada por policiais na época da ditadura militar. Protagonizado por Seu Jorge, o elenco conta com Adriana Esteves, Humberto Carrão e Bruno Gagliasso